PSICOPATOLOGIA E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
Este post é um resumo do capítulo "Discussões da Análise do Comportamento acerca dos transtornos psiquiátricos", de Denise de Lima Oliveira Vilas Boas, Robero Alves Banaco & Nicodemos Batista Borges. (p. 95 - 101).
Livro: Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos (Nicodemos Batista Borges; Fernando Albregard Cassas e cols.), 2012.
*Durante a graduação em psicologia, muito se vê sobre psicopatologias, seja em disciplinas específicas ou dentro de outras abordagens teóricas. Uma dúvida que frequentemente surge quando se estuda Análise do Comportamento é: como a AC explica estes "fenômenos"? Longe de tentar esgotar o tema, este post serve como uma introdução sobre qual seria a visão da Análise do Comportamento sobre o tema "psicopatologia".
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Livro: Clínica analítico-comportamental: aspectos teóricos e práticos (Nicodemos Batista Borges; Fernando Albregard Cassas e cols.), 2012.
*Durante a graduação em psicologia, muito se vê sobre psicopatologias, seja em disciplinas específicas ou dentro de outras abordagens teóricas. Uma dúvida que frequentemente surge quando se estuda Análise do Comportamento é: como a AC explica estes "fenômenos"? Longe de tentar esgotar o tema, este post serve como uma introdução sobre qual seria a visão da Análise do Comportamento sobre o tema "psicopatologia".
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Problemas Clínicos
Os motivos que levam uma pessoa a procurar ajuda de um psicólogo clínico, em geral, são:- Busca de autoconhecimento;
- Problemas que o cliente não está conseguindo lidar sozinho (aqui podemos incluir os "transtornos psiquiátricos").
Com relação ao último tópico, quando um indivíduo diz que está com problemas? Geralmente quando seus comportamentos não produzem aquilo de que ele gostaria ou, quando produzem, trazem consigo sofrimento.
Dessa forma, "estar com problemas" se refere a dificuldades em emitir respostas que diminuam estimulação aversiva ou que deem acesso a reforçadores. Estas dificuldades, segundo os autores, podem se dar por diversos motivos, tais como:
- Falta de repertório = O indivíduo não sabe (não aprendeu) a emitir a resposta que produz essas consequências;
- Falhas no controle discriminativo = O indivíduo não fica sob controle de eventos do ambiente que deveria estar para que sua resposta seja reforçada;
- Dificuldade em relação à intensidade da resposta = Pode ser que esteja emitindo a resposta em excesso ou em frequência muito baixa, não produzindo, assim, a consequência desejada.
Normalidade: um conceito definido por práticas culturais
Frequentemente ouvimos que pessoas que apresentam algum quadro psiquiátrico são "loucas" ou "anormais", o que, em muitos casos, mais atrapalha do que ajuda, além de ser uma atitude preconceituosa.
A classificação de padrões comportamentais como transtornos mentais é determinada por práticas culturais que estabelecem os padrões socialmente aceitos ou não (Falk & Kupfer, 1998).
Os autores colocam duas formas de classificação para diferenciar as pessoas "sadias/normais" das "psicopatológicas/anormais":
1. "Sadio X Psicopatológico" (Idade Média)
Esses termos seriam resquícios da Idade Média, onde perdurava o dualismo mente-corpo.
Atribuía-se aos padrões psicopatológicos uma causa mental (falhas mentais), sendo a mente, também, o local onde a "cura" deveria ser buscada.
2. "Normal X Anormal" (Modelo Estatístico)
Esta classificação seria uma distorção do modelo de seleção natural de Darwin.
A natureza, para esse modelo, em busca de evolução, produziria a variabilidade entre os organismos; contudo, formas mais perfeitas do que outras se repetiriam mais frequentemente, em uma distribuição que obedeceria à "curva normal": as mais perfeitas teriam uma frequência maior, e desvios gradativos da perfeição seriam também gradativamente menos frequentes.
Dois problemas devem ser identificados neste critério de normalidade: uma intencionalidade da natureza e a divisão dos indivíduos em categorias de diferentes qualidades.
O modelo de seleção natural de Darwin não fala de relações intencionais entre os organismos e a natureza. O modelo estatístico desvirtua a teoria darwiniana ao atribuir um papel de selecionador da perfeição e, ao mesmo tempo, abre caminho para as visões segregacionistas, que defendem que o mundo é feito para os melhores.
(Nesta forma de classificação se encontram o DSM e o CID).
Multideterminação do comportamento
O comportamento é entendido como algo que é natural e variável e passa por um processo de seleção pelos efeitos que produz no ambiente, o que chamamos de seleção por consequências.
Dessa forma, o comportamento é produto de variação e seleção, o que ocorre em três níveis:
- Filogenético = O indivíduo nasce com uma predisposição a responder de determinada maneira, a qual foi herdada através de seleção de genes;
- Ontogenético = A partir de sua concepção, o indivíduo naturalmente age (emite respostas) de forma variável, produzindo mudanças no ambiente, sendo essas mudanças selecionadoras de repertório (tornarão mais prováveis que determinadas respostas sejam emitidas);
- Cultural = O sujeito é sensível, também, ao ambiente social que integra, sendo este (ambiente social) selecionador de padrões comportamentais típicos daquele grupo.
Assim, ao se deparar com uma criança com desenvolvimento atípico (por exemplo, autismo), pode-se verificar uma forte determinação no nível filogenético. Mas também podemos encontrar, em muitos casos, influências nos níveis ontogenético - por exemplo, pais que superprotegem, dificultando o aprendizado da criança - e cultural - por exemplo, práticas de exclusão que podem levar à maior diferenciação entre essa criança e as demais.
Os comportamentos "patológicos" também obedeceriam a esse tipo de seleção em três níveis.
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Na tentativa de encontrar uma forma diferente de lidar com esses fenômenos comportamentais, a análise do comportamento dá ênfase à análise de contingências (avaliação funcional), entendendo que alguns comportamentos merecem maior atenção do clínico não porque sejam "patológicos", mas porque violam expectativas sociais e, consequentemente, trazem maior sofrimento àqueles que os apresentam ou àqueles que com eles convivem.
A análise do comportamento propõe que esses padrões comportamentais sejam analisados como déficits ou excessos comportamentais. Desta forma, a análise do comportamento utiliza o critério de sofrimento para definir se um comportamento merece ou não uma atenção "especial": é o sofrimento que a pessoa que se comporta, ou os que estão ao seu redor, que justificaria o seu estudo e a busca de seu controle.
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