ANÁLISE FUNCIONAL DO COMPORTAMENTO [2] (COSTA; MARINHO)

O presente texto configura-se como um resumo do artigo "Um modelo de apresentação de análises funcionais do comportamento", de Silvana Elisa Gonçalves de Campos Costa, e Maria Luiza Marinho (2002).

1. Análise Funcional como Método para a compreensão do comportamento

Behavioristas radicais preferem falar em "variáveis das quais os comportamentos é função", ao invés de termos como "propósito", "intenção", "motivação", etc. O nome que se dá ao MÉTODO para identificar essas variáveis é "ANÁLISE FUNCIONAL".
Ou seja, o comportamento existe porque tem alguma função, algo o mantém. A análise funcional é a busca pelas variáveis que estão mantendo o(s) comportamento(s) em questão.
* O principal instrumento conceitual adotado para a realização de análises funcionais é o conceito de CONTINGÊNCIA (antecedentes, resposta e consequência).

Interpretar um comportamento significa compreender sua função, que pode variar de um indivíduo a outro, entre situações e no tempo. As funções, de maneira geral, dizem respeito à obtenção de estímulos apetitivos ou à evitação de estímulos aversivos.

Vale lembrar que eventos privados (que só a pessoa que se comporta tem acesso) também podem entrar na análise em diferentes vias. Eles podem ser o comportamento-alvo, podem ser antecedentes ou podem ser consequências.


2. Análise Funcional na Prática Clínica

"Quando se vai proceder à análise funcional de um comportamento, de todas as informações que se tem sobre a vida atual e passada do indivíduo, tem-se que selecionar aquelas variáveis que parecem ter relação causal com o comportamento analisado". Só se terá certeza da escolha das variáveis corretas após sua manipulação (em geral, durante o processo de intervenção). As relações estabelecidas de início são meramente hipotéticas.

Outro aspecto muito importante da análise funcional é que além de especificar o comportamento-alvo ela também deve:
  • Especificar os comportamentos substitutos - ou seja, os comportamentos "adaptativos" que podem ser efetivos em servir àquela mesma função.
  • Especificar quais as consequências que mantêm o comportamento problema - podem incluir tanto reforço positivo quanto negativo.
  • Especificar quais as contingências que têm falhado em manter a resposta adaptativa - A pessoa pode nunca ter aprendido "comportamento apropriado"; o comportamento apropriado tem uma frágil história de aprendizagem; ou que atualmente haja pouco reforço ou haja punição para a resposta adaptativa.

Exemplo de Análise Funcional:
(Imagem retirada do artigo. Crédito às autoras)



Comentários Finais

Conforme as autoras do texto indicam:
"As análises 
funcionais apresentadas são hipóteses para explicação dos comportamentos analisados e são probabilísticas. Hipóteses essas que devem ser confirmadas ou refutadas através da manipulação de variáveis e da observação de seu efeito sobre o comportamento. Ou seja, as intervenções propostas devem, necessariamente, relacionar-se a tentativas de mudanças em variáveis independentes (variáveis funcionais antecedentes ou conseqüentes) de forma a produzir mudanças na variável dependente (comportamento)".

Dessa forma, a análise funcional é um método utilizado pelos analistas do comportamento para compreender "porque as pessoas se comportam dessa ou daquela maneira". É um instrumento fundamental que pode ser aplicado para se entender os mais variados comportamentos nos mais variados contextos.

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