ANÁLISE FUNCIONAL DO COMPORTAMENTO (MATOS)

Este texto configura-se como um resumo do artigo "Análise Funcional do Comportamento", de Maria Amélia Matos (1999).

(Este artigo possui um aprofundamento teórico/filosófico sobre a Análise do Comportamento que não foi englobado neste resumo. Para informações mais completas procure pelo artigo original).

O analista do comportamento diferencia-se de outros estudiosos do comportamento pela ênfase que atribui às unidades funcionais do comportamento. Ele é um cientista natural, não um filósofo; é, também, um darwinista e um funcionalista.

  • Como um darwinista, acredita que todas as mudanças comportamentais, operantes ou não, resultam de um processo de seleção pelas consequências.
  • Como funcionalista, é um machiano (referência ao físico Ernst Mach). Substitui a noção de "causa" por "função", e a explicação pela descrição. Os fenômenos sempre ocorrem em variadas relações de interdependência e, assim, a tarefa do estudioso funcionalista é descrever estas interdependências.
    Causa é sinônimo de função, que é sinônimo de controle, que é sinônimo de descrição de relações funcionais.
O modelo de causalidade é um modelo de seleção por consequências. Os comportamentos se modificam porque têm uma função de utilidade na luta pela sobrevivência do indivíduo. (Um comportamento "estranho" nunca é referenciado como sendo "patológico", pois, se ele ocorre, é porque de alguma maneira é funcional).

* Fazer uma ANÁLISE FUNCIONAL é identificar o valor de sobrevivência de determinado comportamento. Ela nada mais é do que uma "explicação" de um evento pela descrição de suas relações com outros eventos. (Uma determinada variável ambiental pode não estar presente no momento em que ocorreu uma mudança comportamental e, mesmo assim, estar relacionada com esta mudança).Exemplo: O comportamento de auto-agressão não é visto como "manifestação de um processo psicótico". É um conjunto de respostas que permite o acesso, pelo indivíduo, a consequências importantes para ele (como consequências sensoriais, sociais, evitação de eventos desagradáveis).
* Uma análise funcional nada é mais do que uma análise das CONTINGÊNCIAS RESPONSÁVEIS POR UM COMPORTAMENTO (seja o comportamento de quebrar uma vidraça, ou de estudar para o vestibular).

O analista do comportamento também considera que mudanças podem ocorrer quando se dá instruções, ou quando se faz descrições de contingências, e não apenas quando a pessoa está exposta diretamente às contingências. Todos esses aspectos são considerados variáveis que podem afetar o comportamento.

A autora sugere cinco passos para se fazer uma análise funcional:

  1. Definir precisamente o comportamento de interesse.
    - Envolve a observação, bem como relatos de outras pessoas (pais, professores, etc.).
  2. Identificar e descrever o efeito comportamental
    - Supõem sua especificação, por exemplo, a frequência com que o comportamento ocorre.
  3. Identificar relações ordenadas entre variáveis ambientais e o comportamento de interesse.
    - Descrever a situação antecedente e a situação subsequente ao comportamento de interesse. Identificar quais eventos são, de fato, condições e, quais são consequências.
  4. Formular predições sobre os efeitos de manipulações dessas variáveis.
    - Trata-se de "reforço positivo ou negativo"... "Punição"... "Fuga"?; a classificação dessas relações em quadros maiores permitirá a previsão de ocorrência semelhante.
    - Também é necessário identificar se as condições antecedentes envolvem apenas eventos físicos ou também comportamentos, e nesse caso se apenas da própria pessoa ou de outras.
  5. Testar essas predições.
    - Pode ser uma intervenção clínica, educacional, institucional ou uma investigação em laboratório.


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