PENSAMENTOS E ANÁLISE DO COMPORTAMENTO [2/2]
-- Tatos e Mandos Generalizados QUE NÃO TÊM INFLUÊNCIA em Comportamentos Subsequentes
Pode ser que os pensamentos (B) não estejam relacionados aos comportamentos subsequentes (C). Isto ocorre quando tato e mando a si mesmo são simplesmente decorrentes de uma generalização de estímulos e não de eles afetarem um comportamento subsequente.
Nós estamos tão acostumados com o tato e o mando a outras pessoas que alguma persistência seria esperada quando estamos sozinhos. A generalização de reações públicas para a esfera privada é particularmente esperada quando a sua forma pública é forte. = A força considerável do mando a outras pessoas é ilustrada por sua frequente generalização a objetos inanimados, tais como dizer "ligue!" para um carro parado; ou, por exemplo, índios Kaingang que gritam com tempestades para elas irem embora (Skinner, 1957).
*Os autores apresentam o caso de Harriet para dar alguns exemplos. Harriet seria uma cliente não assertiva, que consente com situações mesmo quando não concorda com elas.*
Para que Harriet apresentasse o tato a si mesma decorrente de generalização, ela deveria ter tido uma história na qual ela tivesse aprendido a descrever o seu próprio comportamento e suas experiências a outras pessoas, tais como dizer à sua mãe, "Quando eu disse não, papai se zangou" (um tato). Então, por causa da generalização de estímulos, ela se engaja em comportamentos similares quando outros não estão por perto (fazer tatos de experiências recentes). Como essas contingências (reações do pai) foram modelando diretamente seu padrão de comportamento de consentimento e evocando sentimentos associados, ela também descrevia para si mesma as contingências (p. ex. "Papai simplesmente me afastou quando pedi sua atenção") e seus próprios comportamentos operantes e respondentes ("Eu corri para meu quarto e comecei a chorar").
Assim, ao mesmo tempo em que o consentimento e a falta de assertividade estavam sendo modelados, ela também descrevia para si mesma os eventos no momento em que iam acontecendo. Ela pensou e consentiu = o pensamento e o consentimento eram independentes um do outro. Agora, em situações semelhantes, a cliente se engajará nos dois comportamentos (pensar e consentir).
Nós teríamos então dois comportamentos distintos, mas que posteriormente se combinam:
-- Tatos e Mandos Generalizados QUE INFLUENCIAM Comportamentos Subsequentes
Skinner (1969) falou sobre a pessoa que formula tato para si mesma, porque ela mesma poderia, então, reagir mais "efetivamente". O tato a si mesmo pode ser útil ao indivíduo quando o ajuda a clarificar ou identificar a situação que poderia, de outra forma, lhe ser confusa.
A maioria das interações humanas são bem complicadas, e o modo como alguém faz o tato (rotula, categoriza ou classifica) de uma situação pode ajudar a determinar uma reação efetiva.
De maneira semelhante, o mando a si próprio pode aumentar a eficácia de uma pessoa na realização de uma tarefa que esteja em suas mãos. Por exemplo: Skinner (1957) descreveu um caso onde uma menina estava tocando piano e dizia para si mesma "Não, espere", "Só um minuto" e "Isto está certo?" = Estes mandos podem ter fortalecido os comportamento subsequentes de parar e ouvir.
É também possível para a ocorrência de um pensamento independente, que se tenha um efeito no comportamento subsequente por causa da consistência, no qual se aprende que "uma pessoa deve praticar o que ela prega" ou "não dizer uma coisa e fazer outra". Pensamentos influenciam comportamentos subsequentes porque esses indivíduos foram reforçados por fazer o que disseram que iriam fazer e punidos quando suas ações não eram consistentes com o seu comportamento verbal.
*Os autores (Kohlenberg & Tsai) fazem um alerta:* Mesmo nos casos em que o cliente está dando sua melhor descrição de pensamento, acredita-se que tal introspecção não seja totalmente confiável e esteja sujeita a muitas influências do momento.
- Comportamento Governado por Regras
Quando um tato ou mando especifica uma contingência e o comportamento necessário, é considerado uma regra.
Por exemplo: "Se você agisse mais amigavelmente teria mais amigos" é um tato que é uma regra, porque é uma descrição que especifica um comportamento (ser amigável) e uma contingência (ter amigos).
Nesse contexto, leis, princípios lógicos, manuais de instrução, preceitos, máximas, e ameaças são tatos e mandos que também são regras.
O comportamento que ocorre como resultado do seguimento da regra é chamado de comportamento governado por regras. Após uma regra ser apresentada, o comportamento governado por ela pode ou não ocorrer (o comportamento governado por regras nunca ocorreria se o indivíduo não tivesse sido reforçado pelo comportamento de seguir regras, de maneira geral).
O comportamento específico evocado pela regra também pode nunca ter sido reforçado. Assim, um estudante pode fazer um conjunto complexo de ações, como planejar, fazer e analisar uma pesquisa de dissertação, que não tenha sido modelado por contingências, mas está sob controle de regras. Porém, as contingências irão prevalecer como acontece com todos os comportamentos governados por regras (se o estudante encontrar resultados interessantes e vantajosos para a pesquisa, por exemplo, poderá se tornar um grande pesquisador; ou se seus resultados forem frustrantes ou equivocados, pode nunca mais querer fazer pesquisas após a dissertação).
É possível ter pensamentos que podem ou não desempenhar um papel nos problemas da pessoa.
Recordando:
Do outro lado temos o tipo A → C, no qual o sintoma foi unicamente modelado por contingências. O foco do tratamento seria expor o cliente a reforçamentos positivos na sessão de terapia e no ambiente natural, que poderiam modelar e sustentar novos Cs.
REFERÊNCIA:
Kohlenberg, J.; Tsai, M. Cognições e Crenças. In: Psicoterapia Analítica Funcional: Criando Relações Terapêuticas Intensas e Curativas. Santo André: ESETec, 2006. p. 107-135.
Pode ser que os pensamentos (B) não estejam relacionados aos comportamentos subsequentes (C). Isto ocorre quando tato e mando a si mesmo são simplesmente decorrentes de uma generalização de estímulos e não de eles afetarem um comportamento subsequente.
Nós estamos tão acostumados com o tato e o mando a outras pessoas que alguma persistência seria esperada quando estamos sozinhos. A generalização de reações públicas para a esfera privada é particularmente esperada quando a sua forma pública é forte. = A força considerável do mando a outras pessoas é ilustrada por sua frequente generalização a objetos inanimados, tais como dizer "ligue!" para um carro parado; ou, por exemplo, índios Kaingang que gritam com tempestades para elas irem embora (Skinner, 1957).
*Os autores apresentam o caso de Harriet para dar alguns exemplos. Harriet seria uma cliente não assertiva, que consente com situações mesmo quando não concorda com elas.*
Para que Harriet apresentasse o tato a si mesma decorrente de generalização, ela deveria ter tido uma história na qual ela tivesse aprendido a descrever o seu próprio comportamento e suas experiências a outras pessoas, tais como dizer à sua mãe, "Quando eu disse não, papai se zangou" (um tato). Então, por causa da generalização de estímulos, ela se engaja em comportamentos similares quando outros não estão por perto (fazer tatos de experiências recentes). Como essas contingências (reações do pai) foram modelando diretamente seu padrão de comportamento de consentimento e evocando sentimentos associados, ela também descrevia para si mesma as contingências (p. ex. "Papai simplesmente me afastou quando pedi sua atenção") e seus próprios comportamentos operantes e respondentes ("Eu corri para meu quarto e comecei a chorar").
Assim, ao mesmo tempo em que o consentimento e a falta de assertividade estavam sendo modelados, ela também descrevia para si mesma os eventos no momento em que iam acontecendo. Ela pensou e consentiu = o pensamento e o consentimento eram independentes um do outro. Agora, em situações semelhantes, a cliente se engajará nos dois comportamentos (pensar e consentir).
Nós teríamos então dois comportamentos distintos, mas que posteriormente se combinam:
- Consentimento modelado por contingências;
- Mando ou tato sobre si mesmo, induzido por generalizações.
-- Tatos e Mandos Generalizados QUE INFLUENCIAM Comportamentos Subsequentes
Skinner (1969) falou sobre a pessoa que formula tato para si mesma, porque ela mesma poderia, então, reagir mais "efetivamente". O tato a si mesmo pode ser útil ao indivíduo quando o ajuda a clarificar ou identificar a situação que poderia, de outra forma, lhe ser confusa.
A maioria das interações humanas são bem complicadas, e o modo como alguém faz o tato (rotula, categoriza ou classifica) de uma situação pode ajudar a determinar uma reação efetiva.
De maneira semelhante, o mando a si próprio pode aumentar a eficácia de uma pessoa na realização de uma tarefa que esteja em suas mãos. Por exemplo: Skinner (1957) descreveu um caso onde uma menina estava tocando piano e dizia para si mesma "Não, espere", "Só um minuto" e "Isto está certo?" = Estes mandos podem ter fortalecido os comportamento subsequentes de parar e ouvir.
É também possível para a ocorrência de um pensamento independente, que se tenha um efeito no comportamento subsequente por causa da consistência, no qual se aprende que "uma pessoa deve praticar o que ela prega" ou "não dizer uma coisa e fazer outra". Pensamentos influenciam comportamentos subsequentes porque esses indivíduos foram reforçados por fazer o que disseram que iriam fazer e punidos quando suas ações não eram consistentes com o seu comportamento verbal.
*Os autores (Kohlenberg & Tsai) fazem um alerta:* Mesmo nos casos em que o cliente está dando sua melhor descrição de pensamento, acredita-se que tal introspecção não seja totalmente confiável e esteja sujeita a muitas influências do momento.
- Comportamento Governado por Regras
Quando um tato ou mando especifica uma contingência e o comportamento necessário, é considerado uma regra.
Por exemplo: "Se você agisse mais amigavelmente teria mais amigos" é um tato que é uma regra, porque é uma descrição que especifica um comportamento (ser amigável) e uma contingência (ter amigos).
Nesse contexto, leis, princípios lógicos, manuais de instrução, preceitos, máximas, e ameaças são tatos e mandos que também são regras.
O comportamento que ocorre como resultado do seguimento da regra é chamado de comportamento governado por regras. Após uma regra ser apresentada, o comportamento governado por ela pode ou não ocorrer (o comportamento governado por regras nunca ocorreria se o indivíduo não tivesse sido reforçado pelo comportamento de seguir regras, de maneira geral).
O comportamento específico evocado pela regra também pode nunca ter sido reforçado. Assim, um estudante pode fazer um conjunto complexo de ações, como planejar, fazer e analisar uma pesquisa de dissertação, que não tenha sido modelado por contingências, mas está sob controle de regras. Porém, as contingências irão prevalecer como acontece com todos os comportamentos governados por regras (se o estudante encontrar resultados interessantes e vantajosos para a pesquisa, por exemplo, poderá se tornar um grande pesquisador; ou se seus resultados forem frustrantes ou equivocados, pode nunca mais querer fazer pesquisas após a dissertação).
Estruturas Cognitivas e Comportamento Modelado por Contingências
Kohlenberg & Tsai sugerem que as estruturas centrais a que se referem os terapeutas cognitivos sejam os comportamento modelados por contingências, o que significaria que os terapeutas cognitivos deveriam dar mais atenção às contingências quando eles estão tentando mudar as estruturas centrais.
IMPLICAÇÕES CLÍNICAS DA VISÃO DA FAP SOBRE AS CRENÇAS
Quando os pensamentos são considerados como comportamentos, o terapeuta é conduzido a considerar as várias origens do comportamento de pensar existentes e, em particular, a prestar atenção nas contingências de reforçamento atuantes, tanto ao seu desenvolvimento quanto à sua modificação.
- Focalizando o Pensamento Aqui e Agora
O pensamento estará mais sujeito à mudança terapêutica se ele acontecer próximo, no tempo e espaço, às contingências e aos estímulos de controle relevantes. Frequentemente ocorrem oportunidades de modelar pensamentos mais adaptativos na medida em que os pensamentos disfuncionais do cliente aparecem na relação cliente/terapeuta.
Pensamentos "disfuncionais" podem ser desafiados e reinterpretados no momento da sessão e, desta forma, um novo comportamento poderia ser fortalecido.
- Levando em Consideração o Papel Variável que os Pensamentos Podem Exercer
É possível ter pensamentos que podem ou não desempenhar um papel nos problemas da pessoa.
Recordando:
- O pensamento influencia comportamentos subsequentes;
- O pensamento não influencia comportamentos subsequentes;
- O pensamento contribui para aumentar a força de um comportamento modelado por contingência subsequente.
Do outro lado temos o tipo A → C, no qual o sintoma foi unicamente modelado por contingências. O foco do tratamento seria expor o cliente a reforçamentos positivos na sessão de terapia e no ambiente natural, que poderiam modelar e sustentar novos Cs.
REFERÊNCIA:
Kohlenberg, J.; Tsai, M. Cognições e Crenças. In: Psicoterapia Analítica Funcional: Criando Relações Terapêuticas Intensas e Curativas. Santo André: ESETec, 2006. p. 107-135.
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